segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O Iraque desmancha-se


Em Al Kasar, desde o avanço do EIIL, cerca de 1 milhão de civis estão refugiados

A destruição de um Estado 
e as ameaças às fronteiras na região

Edilson Adão Cândido da Silva*
O Oriente Médio atravessou o século XX como o mais importante e instável conjunto geopolítico do globo e adentrou o XXI na mesma condição. Ora de forma mais intensa, ora mais branda, a verdade é que a região não sai do noticiário. O assunto da vez é a crise síria e as reais possibilidades de desconstrução das fronteiras iraquianas.

As capitais Damasco e Bagdá foram sedes de dois dos mais importantes califados, após a morte do profeta Maomé desde o século VII. Do esplendor do passado ao caos do presente, Síria e Iraque são, inegavelmente, países centrais no contexto geopolítico da região. E vêm de lá, no momento, as maiores preocupações.

No caso do Iraque, a crise contemporânea está indissociavelmente ligada às trapalhadas do ex-presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009) e seus falcões naquele país desde 2003. Até então, o Iraque vivia sob um governo tirano. Mas daí, destruir um Estado e substituí-lo pelo caos, vai uma longa distância.
Saddam Hussein era um déspota, mas não um terrorista. Ao contrário, enquanto viveu combateu o terrorismo e impediu sua entrada no Iraque. Era inimigo declarado de Bin Laden.

Em artigo publicado na edição de maio de 2013 em Carta na Escola, afirmo que o Iraque tornara-se o pior lugar do mundo para se viver. A suposta “Guerra ao Terror”, implícita na cartilha geopolítica da doutrina Bush, fez do antigo reino da Babilônia um abrigo de terroristas, das mais variadas partes do mundo.

Vejamos o que afirmou George W. Bush, em setembro de 2002, em um documento enviado ao Congresso americano: “Atualmente, os Estados Unidos gozam de uma posição de incomparável força militar e grande influência política e econômica. Coerentes com nossas tradições e nossos princípios, não usamos de força para pressionar em favor de vantagens unilaterais”.

Contudo, o que se viu foi exatamente o contrário. Os EUA usaram a força e atacaram o Iraque com o único propósito de tirar vantagens unilaterais. O argumento das tais armas de destruição em massa foi um engodo. Era improvável que o país as possuísse, pois estava à míngua diante dos embargos desde 1991: não havia a menor possibilidade técnica para se produzirem tais armas. Como se sabe, os estadunidenses atacaram o Iraque sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, já que a França antecipara seu veto a uma resolução para esse fim. Muitos analistas entendem ser esse episódio o maior golpe sofrido pela entidade desde sua criação, em 1945.

Contudo, os EUA não conseguiram levar adiante o projeto de transformar o Iraque em um país aliado das empresas petrolíferas do Ocidente. Em 2003, a Halliburton, uma das maiores prestadoras de serviços no setor do mundo e que fora presidida pelo vice de Bush, Dick Cheney, entre 1995 e 2000, ganhou generosos contratos para a reconstrução do Iraque. Mas não teve êxito.

O cenário atual
O Iraque tem um frágil governo constituído, mas que não é reconhecido por todos os grupos que habitam o país. O primeiro-ministro Nouri al-Maliki é aceito pela maioria xiita (perto de 55% da população), mas tem a objeção dos árabes e curdos-sunitas. Nos últimos tempos, Al-Maliki aproximou-se demais de Teerã para desconforto da Casa Branca, que agora cogita distanciar-se de seu ex-pupilo. A instabilidade no Iraque e, posteriormente, na Síria produziu o surgimento do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) que, unilateralmente, anunciou a criação do Estado Islâmico (EI), um Estado fundamentalista que se estenderia de Aleppo, na Síria, a Diyala, no Iraque. O líder desse pretenso novo califado do século XXI é Abu Bakr Baghdadi. Os métodos do grupo lembram em muito a ordem dos assassínios, seita ismaelita do século XI, cuja violência das ações não hesitava em executar friamente os inimigos após inalarem o haxixe, originando, inclusive, a palavra assassino. Ou, numa comparação mais recente, o Grupo Islâmico Armado (GIA) que produziu horrores no interior da Argélia nos anos 1990. O EIIL vem aterrorizando as comunidades do deserto iraquiano e sírio, próximos ao Vale do Eufrates, mas também em Mosul, ao norte, segunda maior cidade do Iraque. Aos olhos do Ocidente, trata-se de ameaça maior que Teerã. Para desconforto dos EUA, quem pode deter o EIIL são exatamente dois regimes hostis aos seus interesses: o de Bashar al-Assad e de Ali Khamenei. A temida conexão Damasco-Teerã, talvez seja agora uma necessidade.

Os fatos recentes na Síria e no Iraque têm origens diversas. Na Síria, a tensão que ora se verifica é fruto das manifestações que varreram o mundo árabe desde dezembro de 2010, enquanto o tenso caldeirão que se tornou o Iraque resulta da intervenção anglo-americana em 2003. Isso, claro, considerando um recorte histórico recente.

A instabilidade e a forte tensão que atualmente vigoram têm uma matriz sectária que, por meio do totalitarismo da era Saddam, estava sob controle. O Iraque era uma espécie de “ditadura plurinacional”, em que os sunitas detinham o poder e a maioria xiita e os curdos eram reprimidos. Os árabes sunitas nunca foram maioria no Iraque, mas sempre estiveram no poder. Hoje, o ódio milenar entre xiitas e sunitas explode em meio à insanidade passional que caracteriza as religiões, quando a não aceitação da outra verdade se sobrepõe. As notícias dão conta de que, desde o avanço do EIIL, mais de mil civis foram executados e algo próximo de 1 milhão tornaram-se refugiados. Mas a violência não começou aí: o extermínio mútuo vem desde a ocupação, quando o Iraque tornou-se um Estado acéfalo; foi nesse contexto, em 2003, que o diplomata brasileiro e representante da ONU, Sérgio Vieira de Melo, morreu em um dos inúmeros atentados que marcaram o país. O Iraque, a partir da ocupação, mergulhou no caos sectário e não se veem perspectivas de melhora a curto prazo.

No entanto, é possível que a ofensiva do EIIL não prossiga, pois, excetuando-se seus seguidores, a ojeriza ao grupo é consensual no mundo árabe e islâmico, e há uma convergência dos mais distintos interesses na região para pôr fim ao avanço do grupo. Contra essa incógnita extremista, Iraque, Irã, Síria, Estados Unidos, Arábia Saudita e, possivelmente, até a Rússia possam dar as mãos, mesmo que circunstancialmente. O EIIL, ao que se parece mais aterrorizador que a própria Al-Qaeda, com quem inclusive rompeu, conseguiria unir numa mesma frente históricos desafetos.

Independentemente do EIIL, a divisão étnico-religiosa do Iraque poderá, sim, num futuro médio, resultar em três Estados, embora os esforços no sentido contrário estejam sendo engendrados por Estados Unidos, Irã e Turquia. Essa possível fragmentação redundaria numa desvantagem inicial aos sunitas: o Iraque possui a terceira maior reserva mundial de petróleo, mas o hidrocarboneto concentra-se no sul xiita e no norte curdo, enquanto a região ocupada pelos sunitas é desprovida de grandes reservas. Esse é um dos fatores da reação extremista sunita.

País desconstruído
O Iraque atual é produto do rearranjamento territorial que a Grã-Bretanha impôs ao Oriente Médio, após a dissolução do Império Turco-Otomano no desfecho da 1ª Guerra Mundial há cem anos. Suas fronteiras preservavam as do antigo Império Babilônico, mas distinguiram-se do que fora no Império Otomano. O Vale do Eufrates não lhe pertencia; Mossul, ao norte, era área de litígio com os turcos e reivindicado pelos mesmos; as constantes desavenças com o Irã sobre o Chat el-Arab, ponto de encontro estuarino entre o Tigre e Eufrates junto à desembocadura do Golfo, são antigas.

A porção sudoeste sempre foi habitada por árabes nômades não muito afeitos a respeitar as fronteiras políticas, e sim suas próprias noções de “fronteira”. Daí a criação de uma zona neutra entre Iraque, Arábia Saudita e Kuwait, onde os beduínos e suas caravanas têm livre trânsito. Até 1920, o que é hoje o Iraque não existia cartograficamente: as três principais macrounidades do Iraque contemporâneo, Mossul, ao norte; Bagdá, ao centro; Basra, ao sul, uniram-se a partir do estabelecimento do mandato britânico. As duas monarquias consentidas que surgiram na ordem do pós-1ª Guerra Mundial, Assabah, no Kuwait, e Fayçal, Iraque, tencionavam constituir uma federação, projeto abortado por Londres. Anos mais tarde, em 1990, Saddam Hussein invadiria o pequeno país, alegando que, histórica e geograficamente, não se justificava a existência do Kuwait: ele seria parte do Iraque.
Revista Carta Escola

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Notícias Geografia Hoje



Segundo ONU, 77 milhões de brasileiros não têm acesso regular à água

agosto 4, 2014
“Nos últimos anos, o Brasil experimentou um desenvolvimento significativo, com crescimento econômico e uma melhoria dos indicadores sociais. Mas essas ganhos ainda não foram refletidos nos serviços de água e saneamento básico”, diz relatório produzido pela entidade

Um levantamento realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que 77 milhões de brasileiros não têm acesso a um abastecimento de água regular e de qualidade. De acordo com os dados, 8 milhões de pessoas ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre no Brasil.

O alerta é dado por Catarina de Albuquerque, relatora da ONU e responsável pelo estudo, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Ela deixa claro que o crescimento da economia brasileira não acarretou uma melhora no setor de saneamento básico e fornecimento hídrico. “Nos últimos anos, o Brasil experimentou um desenvolvimento significativo, com crescimento econômico e uma melhoria dos indicadores sociais. Mas essas ganhos ainda não foram refletidos nos serviços de água e saneamento básico”, observou.

O relatório revela, também, que as diferenças regionais são profundas. No Norte, 31% da população vive “sem um fornecimento adequado de água”. No Nordeste, o número cai para 21,5%.

Segundo o raio-x, a situação é mais grave em favelas e zonas rurais. “O direito à água não pode ser negado a ninguém com base no status legal de sua moradia”, aponta. O problema está diretamente ligado à renda dos habitantes de determinada área. “Em locais onde a população ganha um quarto de um salário mínimo, o déficit de água é de 35%”, pontua a ONU.

Como alternativa, a entidade sugere a fixação de um teto para o preço da água. Segundo os padrões internacionais, os gastos com abastecimento não podem representar mais do que 5% do orçamento familiar. No Brasil, Albuquerque constatou que algumas famílias destinavam até 25% de sua renda mensal com serviços de água e saneamento.

O levantamento indica, ainda, que o governo federal precisa mudar sua postura e rever objetivos, incluindo o Plano Nacional de Saneamento. “O Plano não tem como meta uma cobertura Universal, deixando 1% da população sem acesso à água e 8% sem saneamento”, expõe. Além disso, a ONU sugere que uma emenda à Constituição seja feita para transformar o direito à água em uma garantia constitucional.
Revista Fórum

Notícias Geografia Hoje



Nestlé e a água: a eterna polêmica

agosto 17, 2014

Decisão da Anvisa de proibir venda de um lote de água engarrafada São Lourenço, pertencente à gigante Nestlé, reacende a discussão sobre o papel privado em relação à água como bem público


Na última sexta-feira (15), a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou a decisão de proibir a distribuição e a comercialização, em todo o território nacional, de um lote da água engarrafada São Lourenço por conta de um laudo do Instituto Adolpho Lutz (da Universidade de São Paulo), que constatou presença anormal da bactéria Pseudomonas aeruginosa, em pelo menos parte das garrafas vendidas em todo o país. Este tipo de bactéria ataca os pulmões, vitimando em especial pessoas com baixa resistência imunológica.

A notícia quase não foi destacada por boa parte da mídia, no entanto, a decisão de Anvisa reabre a discussão sobre as práticas de desmineralização da água, que a Nestlé adota em São Lourenço (MG), pois não é de hoje que a transnacional suíça se envolve em polêmicas por conta da água – e isso não é exclusividade brasileira. O estado norte-americano de Michigan, conhecido como o “estado das águas” – por conta de seus diversos lagos que fazem fronteira com o Canadá – é um dos que mais sofrem por conta da presença da Nestlé no estado.

De fato, não faz muito tempo que Peter Brabeck, presidente da Nestlé, defendeu a privatização do fornecimento da água, isso para que atentássemos ao fato de que a água sendo gratuita faz com que em várias ocasiões as pessoas não lhes deem valor e a desperdicem. Além de também defender que a água deveria fosse tratada como qualquer outro bem alimentício e ter um valor de mercado, estabelecido pela lei de oferta e procura. Só desta maneira, aponta, empreenderíamos ações para limitar o consumo excessivo que se dá nesses momentos.

Obviamente, além do grande “bem” para a sociedade, isso também geraria enormes lucros para sua empresa: a Nestlé é a líder mundial na venda de água engarrafada - setor que representa 8% de seu capital, que em 2011 totalizaram aproximadamente 68,5 bilhões de euros. Afinal, o negócio das águas minerais engarrafadas se transformou em um dos setores mais lucrativos e de maior expansão no mundo.
Revista Fórum

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Notícias Geografia Hoje

Islândia eleva nível de alerta para erupção de vulcão


Possível erupção vulcânica faz autoridades da Islândia elevarem nível de risco para a aviação

O risco de uma erupção no vulcão de Bardarbunga, na Islândia, está aumentando. Autoridades meteorológicas disseram ter identificado sinais de que o magma já está se movimentando.

O nível de risco para a aviação foi elevado para laranja, o quarto mais alto em uma escala de cinco estágios.

Embora a erupção em si não tenha sido ainda constatada, se ela acontecer poderá causar explosões e emissão de cinzas em uma grande área.

Ao entrar em erupção em 2010, outro vulcão da Islândia- o Eyjafjallajokull – produziu uma nuvem de cinzas que causou uma interrupção severa no espaço aéreo europeu. A nuvem de cinzas produzida pela erupção afetou centenas de milhares de passageiros devido a restrições de voos.

O sistema vulcânico de Bardarbunga está localizado na região noroeste da geleira de Vatnajokull.
Terremoto mais forte

Uma "intensa atividade sísmica" começou em 16 de agosto e um terremoto intenso foi registrado na região durante a segunda-feira.

Segundo autoridades locais, esse foi o mais forte terremoto registrado na região desde 1996.

"Atualmente não há sinais de erupção, mas não podemos desconsiderar que a atividade atual vai resultar em uma erupção subglacial explosiva", afirmou um meteorologista. Ele disse que a situação está sendo monitorada.

Os códigos de cores da aviação são usados para indicar o nível de risco que um vulcão representa para as viagens aéreas.

Um alerta laranja indica que um vulcão tem potencial de entrar em erupção ou já está nesse estágio, porém sem a emissão massiva de cinzas.

Um alerta vermelho indica uma erupção iminente ou a emissão significativa de cinzas na atmosfera durante uma erupção.
BBC Brasil

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