quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Al-Shabab, o grupo acusado pelo maior ataque da história da Somália, que matou mais de 300 pessoas



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Militantes do Al-Shabab foram responsabilizados por ataque mais letal da história da Somália

A organização extremista Al-Shabab foi apontada pelo governo da Somália como responsável pela explosão que deixou pelo menos 300 mortos e centenas de feridos na capital do país, Mogadíscio.

O ataque, que aconteceu no sábado em uma movimentada área da cidade, é o mais letal da história do país desde que o grupo surgiu, há cerca de dez anos.

A explosão foi tão forte que destruiu hotéis, edifícios do governo e restaurantes.

"Foi a maior explosão que eu já vi na vida. Destruiu toda a área", disse uma testemunha à agência de notícias AFP.

Um dos mortos foi uma estudante de medicina que colaria grau no dia seguinte.

Seu pai havia viajado a Mogadíscio para comparecer à solenidade, mas acabou participando de seu enterro.

"O incidente de hoje foi um ataque horrível do Al-Shabab contra civis inocentes", disse o presidente Mohamed Abdullahi Mohamed à imprensa local.

Somalis foram às ruas protestar contra o grupo e pedir doação de sangue. Os hospitais estão superlotados de feridos e há falta de medicamentos e de bolsas de sangue.

Um avião militar da Turquia chegou com ajuda médica. Horas depois, voltou ao país carregando 40 feridos.

Nenhum grupo ainda reivindicou a autoria do atentado.

O Al-Shabab, que tem ligações com a Al-Qaeda, vem realizando ataques violentos, em especial no Quênia, há anos.

A organização extremista chegou a controlar parte da Somália, mas foi expulsa das principais cidades que dominava no sul e no centro do país.

Ainda assim, o grupo permanece como uma ameaça em potencial ao governo local, que conta com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) e da União Africana (UA), e a países vizinhos.

Quem é o Al-Shabab?

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Ataque da sábado deixou mais de 250 mortos e 300 feridos

Al-Shabab significa 'A Juventude' em árabe. O grupo surgiu como uma ala radical da hoje extinta União das Cortes Islâmica da Somália em 2006, enquanto combatia forças etíopes que invadiram o país para apoiar o fraco governo interino.

Nas áreas sobre seu controle, impôs uma versão rígida da sharia (lei islâmica), desde o apedrejamento até a morte das mulheres acusadas de adultério, passando pelo amputamento dos acusados de roubo.

Estima-se que, atualmente, o grupo tenha de 7 mil a 9 mil combatentes, incluindo estrangeiros.
Qual é a orientação religiosa do Al-Shabab?

O Al-Shabab defende a versão wahabista do islã, inspirada pela Arábia Saudita, enquanto a maioria dos somalis segue a linha do sufismo.

Por destruir um grande número de santuários sufistas, o grupo insuflou o descontentamento popular.

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Forças lideradas pela União Africana expulsaram Al-Shabab das principais cidades do país

Quanto da Somália o Al-Shabab controla?

O Al-Shabab foi expulso da capital do país, Mogadíscio, em agosto de 2011.

Apesar de ter perdido o controle das principais cidades e povoados, o grupo ainda tem influência sobre áreas rurais da Somália.

Analistas acreditam que a organização extremista vem se focando cada vez mais em táticas de guerrilha para conter o poder de fogo das forças da UA.

Mas o grupo está sob pressão de várias frentes, tanto na Somália quanto no Quênia e na Etiópia.

Em agosto deste ano, Mukhtar Robow Mansuur, porta-voz da organização e um de seus ex-líderes, se entregou ao governo da Somália e pediu aos integrantes do Al Shabab para abandonarem a organização.

Quem é o líder do Al-Shabab?

Por anos a fio, Ahmed Abdi Godane liderou o grupo. Também conhecido como Mukhtar Abu Zubair, ele era originário da região separatista da Somalilândia, ao norte do país.

Godane, uma figura reclusa que era amante de poesia e assumiu o comando do grupo, foi morto em 2014 em um ataque aéreo americano assim como seu antecessor, Moalim Aden Hashi Ayro, morto 2008.

Ahmad Umar, que também é conhecido como Abu Ubaidah e teria cerca de 40 anos, é apontado como um dos cabeças da organização. Em 2014, ele foi indicado por unanimidade entre os comandantes para liderar o Al-Shabab.

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Al Shabab tem realizado vários ataques no Quênia | foto: Bernard Kamuen

Quais foram os principais ataques do grupo?

Antes do atentado na capital da Somália, as ações do Al-Shabab que haviam recebido mais cobertura internacional foram ataques no país vizinho Quênia.

Em abril de 2015, o Al-Shabab atacou o campus de uma universidade na cidade de Garissa, no noroeste do Quênia, e deixou mais 147 estudantes mortos.

Dois anos antes, o grupo havia assumido a responsabilidade pelo ataque que deixou dezenas de mortos num shopping de Nairóbi, também no Quênia.

Anteriormente, foi responsabilizado por um ataque suicida duplo na capital de Uganda, Kampala, que matou 76 pessoas que assistiam pela televisão à final da Copa do Mundo de futebol, em 2010.

O ataque aconteceu porque Uganda - junto com o Burundi - forneceu grande parte das tropas da UA na Somália antes de o Quênia entrar no conflito.

Quem são os apoiadores do Al-Shabab?

A Eritreia é o único aliado regional, mas nega prover armas para o Al-Shabab. A Eritreia apoia o grupo para conter a influência da arquiinimiga Etiópia, de que se tornou independente em 1993.

Com o apoio dos Estados Unidos, a Etiópia enviou tropas para a Somália em 2006 para combater os islamistas. As forças etíopes se retiraram em 2009 após sofrer fortes baixas.

Num vídeo de 2012, o ex-líder da organização disse que obedecia ao comando da organização terrorista Al-Qaeda. Analistas acreditam que por anos os dois grupos atuaram juntos.

Há ainda a suspeita de que o Al-Shabab tenha ligação com outros grupos extremistas da África como o Boko Haram, da Nigéria. Contudo, não se sabe qual o nível de relacionamento do Al-Shabab com o autoproclamado Estado Islâmico.

Quais são as redes de recrutamento?

Assim como outros grupos extremistas, o Al-Shabab também usa redes sociais como o Facebook e o Twitter para recrutar combatentes e disseminar informações sobre as atividades da organização.

A editora do serviço africano da BBC, Mary Harper, afirma que o Al-Shabab é muito ativo na internet e usa vídeos com rap e imagens de campos de treinamento na tentativa de atrair seguidores.

*Esse texto foi publicado originalmente em 21 setembro de 2013 e atualizado depois do novo ataque na capital da Somália, Mogadíscio.
BBC Brasil

Abrasão


Erosão costeira em Algarve


Processo erosivo ou de desgaste de rochas pelo impacto e/ou atrito/fricção de partículas ou fragmentos carregados por correntes eólicas, glaciais, fluviais, marinhas, de turbidez, pelo vai e vem de ondas.
GLOSSÁRIO GEOLÓGICO ILUSTRADO

Estudo indica áreas favoráveis para explorar a energia solar no Brasil


Para aproveitar o Sol



A produção de energia elétrica por meio de tecnologia solar fotovoltaica no Brasil está crescendo em ritmo acelerado, embora ainda represente menos de 0,02% da matriz de energia elétrica do país. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a potência instalada no território nacional no primeiro trimestre deste ano atingiu 107,6 megawatts (MW), 15 vezes mais do que a registrada no mesmo período em 2015. Para orientar a expansão da exploração desse tipo de energia no país, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou a segunda edição do Atlas brasileiro de energia solar, que reúne um conjunto de informações acumuladas nos últimos 17 anos sobre a incidência de radiação e os locais mais propícios para a instalação de módulos fotovoltaicos. O documento substitui a primeira versão do Atlas, lançada em 2006, que reunia um espectro de informações menor, referentes à década anterior.

Produzido em colaboração com instituições como as universidades federais de São Paulo e de Santa Catarina, a Tecnológica Federal do Paraná e o Instituto Federal de Santa Catarina, o Atlas identificou um potencial de geração de energia solar no Brasil que chega a 2.281 quilowatts-hora por metro quadrado por ano (kWh/m²/ano), o suficiente para produzir o equivalente a três vezes o consumo residencial anual nos estados da Bahia e de Pernambuco. O estudo reafirma que os maiores valores de irradiação solar ocorrem no chamado Cinturão Solar, faixa que vai do Nordeste ao Pantanal (ver mapa), em especial no sertão da Bahia e em boa parte de Minas Gerais. Uma novidade é a recomendação de que os investimentos em novas plantas de geração de energia fotovoltaica busquem também áreas mais ao sul, que abranjam o sudoeste de Minas Gerais, passando pelo noroeste de São Paulo e o norte do Paraná. Embora apresentem níveis de irradiação solar um pouco mais baixos que os do Nordeste, essas áreas têm acesso a mais pontos de conexão com o sistema interligado de transmissão de energia elétrica do país.

“Os estados do Nordeste têm alta incidência solar, mas estão em uma região com menos opções de conexão com a rede nacional de distribuição de energia elétrica . Isso pode inviabilizar projetos na região, porque torna mais cara a interligação dos sistemas fotovoltaicos às redes de distribuição”, explica o físico Enio Pereira, pesquisador do Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe e coordenador do estudo. Procura-se com isso evitar problemas como os enfrentados na produção de energia eólica no país. “Alguns parques eólicos foram instalados no Nordeste sem linhas de transmissão suficientes. Essa situação acabou impondo a necessidade de novos investimentos no transporte de energia.” O custo de implantação da energia solar ainda é alto. Atualmente, são necessários aproximadamente R$ 8 milhões para erguer uma central solar com potência instalada de 1 megawatt (MW). Esse investimento representa em média três vezes mais do que o necessário para construir uma central eólica com a mesma capacidade. O Brasil conta com algumas centrais solares, como a Usina Solar de Tauá, no sertão cearense, e a Usina Solar Cidade Azul, no município de Tubarão, em Santa Catarina.

Monitoramento atualizado
Assim como aconteceu com o Atlas de 2006, a nova edição se propõe a orientar a elaboração de políticas para o setor de energia solar. “O primeiro Atlas foi lançado em uma época em que a energia solar fotovoltaica dava seus primeiros passos e ajudou a Empresa de Pesquisa Energética [EPE, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia] a implementar os primeiros projetos”, afirma Pereira. O novo estudo traz um conjunto maior de dados e análises. “Refinamos os dados e aperfeiçoamos as metodologias. O Atlas funciona como uma ferramenta para incentivar os investidores a implementar mais projetos de energia solar, agora com uma base mais confiável de evidências”, ressalta. As informações foram coletadas em mais de 500 estações solarimétricas espalhadas pelo território nacional e no monitoramento por satélite dos índices de irradiação solar dos últimos 17 anos.

O Brasil, mostra o estudo, tem uma distribuição bastante uniforme de irradiação solar, que varia pouco na geografia do país. Uma exceção é a região amazônica, que tem muitas chuvas durante o ano e, por isso, não desperta interesse para grandes empreendimentos em energia solar. “A nebulosidade na Amazônia tem impacto negativo sobre a geração de energia em centrais solares”, afirma Pereira.

Isso não impede que projetos de microgeração fotovoltaica, modelo baseado em painéis instalados nos telhados das casas, sejam implementados na região, alerta. A física Izete Zanesco, pesquisadora do Núcleo de Tecnologia em Energia Solar da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), salienta que o planejamento do setor deve levar em consideração as áreas que ficaram de fora do Cinturão Solar. “Como o Brasil tem níveis favoráveis de irradiação solar em todo o território, módulos fotovoltaicos podem ser instalados em residências ou empresas em qualquer lugar do país”, afirma. Já no caso de grandes centrais fotovoltaicas, ela reconhece que é mais produtivo seguir as informações do Atlas e instalá-las nas regiões com maior incidência solar.
A Aneel projeta para 2024 mais de 800 mil residências no Brasil produzindo a própria energia elétrica por meio de fonte solar. No caso da microgeração, com potência instalada menor ou igual a 75 kW, havia, no primeiro trimestre de 2015, 556 sistemas de microgeração de energia solar instalados no país. Em agosto de 2017, esse número havia saltado para 12.977. A maioria desses sistemas concentra-se nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Um dos motivos do crescimento são as recentes mudanças na legislação e a regulamentação do setor, que permitiram que o excedente de captação de energia solar gerado, por exemplo, em residências, possa ser distribuído para a rede de eletricidade, gerando um desconto na fatura de energia dos produtores domésticos. Algumas empresas já transformam esse excedente em um crédito a favor do consumidor, como é o caso da CPFL Energia na região de Campinas.

Outro fator é que o preço dos sistemas fotovoltaicos caiu significativamente na última década, em parte devido à entrada da China no mercado fornecedor. “Hoje, mais de 80% dos módulos fotovoltaicos são produzidos na Ásia, especialmente na China, que também é o país que mais instala esses equipamentos”, explica o físico Arno Krenzinger, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). De acordo com ele, o barateamento das placas pode favorecer a consolidação de mais empreendimentos no país, caso haja também políticas de incentivos mais fortes. “O Brasil depende da importação de células solares, um componente tecnológico dos módulos. Há grupos de pesquisa desenvolvendo esse material no país, mas não em escala industrial.” Mesmo mais acessível, trata-se de uma tecnologia cara para o consumidor comum. “O investimento para quem quer instalar um sistema fotovoltaico de 2 kilowatts na residência é de aproximadamente R$ 15 mil”, estima Izete Zanesco. Isso representaria, em média, uma economia de aproximadamente R$ 200 reais por mês na conta de luz, variando de acordo com o estado.

O Atlas identificou uma tendência de aumento da irradiação solar em quase todas as regiões do país. No Sudeste, por exemplo, a média diária de irradiação solar em 2006 foi de 5 kWh/m²/ano; em 2014 houve um leve aumento, para 5,2 kWh/m²/ano. A exceção é a região Sul, que apresentou uma redução da incidência de radiação solar. Em 2006, a média era de 4,7 kWh/m²/ano e, em 2014, havia caído para aproximadamente 4,5 kWh/m²/ano. “Ainda assim, mesmo no local menos ensolarado do Brasil é possível gerar mais eletricidade solar do que no local mais ensolarado da Alemanha, um dos países mais avançados no uso dessa energia”, afirma Enio Pereira. De acordo com o pesquisador, os mecanismos físicos associados ao fenômeno ainda são pouco compreendidos.



Com potência instalada de 3 MW, a Usina Solar Cidade Azul, no município de Tubarão, em Santa Catarina, é uma das maiores centrais do país

O estudo do Inpe também aponta tendências tecnológicas ligadas à energia solar que poderiam ser mais exploradas no país. Uma delas é a energia heliotérmica, em que a radiação solar é captada e armazenada em forma de calor – Espanha e Estados Unidos são alguns dos países que usam essa tecnologia. “Trata-se de um processo em que se utiliza a energia solar para aquecer um fluido, que passa por uma caldeira e gera vapor na usina termelétrica”, explica Enio Pereira, do Inpe. O Atlas também recomenda a expansão do uso da energia solar para aquecimento de água a temperaturas abaixo de 100 °C, em substituição a sistemas de aquecimento elétrico ou a gás, como chuveiros.
Revista FAPESP

Nível do mar na costa brasileira deve subir



O nível do mar na costa brasileira, onde vive 60% da população, tende a subir nas próximas décadas. Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, já têm sido registradas taxas de aumento do nível médio do mar de 1,8 milímetro (mm) a 4,2 mm por ano desde a década de 1950. No entanto, estudos sobre o impacto das mudanças climáticas no litoral ainda são escassos, segundo relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), lançado em junho no Rio de Janeiro. “Os impactos mais evidentes da elevação do nível do mar são o aumento de inundações costeiras e a redução da linha de praia. Mas há outros não tão perceptíveis, como a intrusão marinha, em que a água salgada penetra aquíferos e ecossistemas de água doce”, disse José Marengo à Agência FAPESP (5 de junho), coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos autores do relatório.
Revista FAPESP

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O ITER


Reator termonuclear em desenvolvimento desde 2006 é promessa de solução para o problema energético global.




A previsão é de que as instalações do novo reator estejam prontas em 2025. (foto: © ITER Organization)

Talvez, o leitor nunca tenha ouvido falar sobre o ITER, acrônimo, em inglês, para ‘Reator Experimental Termonuclear Internacional’. Mas esse é um dos projetos mais ambiciosos em andamento, que poderá ser o primeiro passo para resolver o problema energético do mundo.

Usinas nucleares convencionais usam como combustível o urânio 235, isto é, o elemento químico cujo núcleo tem 92 prótons e 143 nêutrons. Ao ser bombardeado com nêutrons, o urânio 235 se parte em núcleos mais leves, que se movem rapidamente. Essa energia de movimento acaba sendo usada para aquecer a água de um reservatório, que, por sua vez, move turbinas, gerando energia elétrica.

Apesar de a energia nuclear já ser responsável por mais de 10% da matriz energética mundial, há o perigo de acidentes graves, e os resíduos radioativos deixados ao final do processo são um problema constante.

Ao contrário de usinas nucleares convencionais, o ITER espera extrair energia da fusão de núcleos leves – mais precisamente, de dois isótopos do hidrogênio: o dêuteron (próton mais nêutron) e o trítio (próton mais dois nêutrons). Ambos são relativamente abundantes na natureza. O dêuteron, por exemplo, pode ser extraído da água do mar.

Quando o dêuteron e o trítio se fundem, são gerados um núcleo de hélio (dois prótons e dois nêutrons) e um nêutron. Nesse processo, por volta de 0,4% das massas do dêuteron e trítio se converte em energia. Pode parecer pouco, mas isso é o triplo do que se obtém em usinas nucleares convencionais, que já são milhões de vezes mais eficientes que termoelétricas, as quais queimam combustíveis fósseis gerando gás carbônico (CO2). Por sua vez, as usinas de fusão liberarão hélio, que é um gás inofensivo.




As partes da máquina estão sendo construídas em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Rússia, Itália e Alemanha. (foto: © ITER Organization)

Em resumo, o ITER seria o primeiro passo rumo a uma fonte de energia limpa e abundante. O grande desafio é que, para que a fusão aconteça, o ITER terá que aquecer os isótopos do hidrogênio a temperaturas de 150 milhões de graus Celsius, ou seja, uns 10% da temperatura no centro do Sol. Esse plasma infernal, formando uma ‘sopa’ quentíssima de partículas, terá que ser mantido longe de tudo, por meio de campos magnéticos megapotentes. Não devemos subestimar os desafios tecnológicos envolvidos na fusão, mas eles podem ser superados.

O ITER é encabeçado pela União Europeia, China, Coreia do Sul, pelos EUA, pela Índia, pelo Japão e pela Rússia desde 2006. À época, o valor estimado para a construção foi de 5 bilhões de euros (hoje, cerca de R$ 18 bilhões), e o tempo para sua conclusão era de 10 anos.

Infelizmente, o projeto está atrasado em uma década. Contudo, as coisas começaram a melhorar desde o fim do ano passado, quando o gerenciamento do projeto passou para as mãos do francês Bernard Bigot. Mesmo assim, Bigot estima que a máquina não estará concluída antes de 2025, e que, depois disso, ainda serão necessários vários anos para que o objetivo original de gerar energia pela fusão de dêuterons e trítios seja alcançado.

A nova estimativa de custo quase que duplicou, passando a ser de 9,6 bilhões de euros (cerca de R$ 35 bilhões), o que levou o Departamento de Energia dos EUA a não garantir seu apoio ao projeto além de 2018 – mas esperemos que essa ajuda continue até o final. Dez bilhões de euros é o que custa um porta­aviões. Se podemos construir vários desses para nos matar, será que não podemos construir um ITER para (ajudar a) nos salvar?

George Matsas
Instituto de Física Teórica
Universidade Estadual Paulista
Revista Ciência Hoje

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Notícias Geografia Hoje


Rupturas nos canais da Transposição

 
“Mais uma vez o canal do Eixo Leste da Transposição do São Francisco se rompeu nesse fim de semana. (...) As orelhas estão em pé. Vamos acompanhando os desdobramentos”. Leia artigo completo de Roberto Malvezzi (Gogó).

(Por Roberto Malvezzi, Gogó* / Foto: Carmelo Fioraso).

Mais uma vez o canal do Eixo Leste da Transposição do São Francisco se rompeu nesse fim de semana. As imagens e vídeos da ruptura estão pela internet.

Diante desses fatos até mesmo o jornalismo paraibano começa questionar a qualidade técnica da obra realizada. Afinal, com os canais expostos há tantos anos ao sol do sertão, sendo remendados várias vezes, sempre restava uma interrogação sobre a funcionalidade desses canais e barragens.

Os responsáveis estão dizendo que a correção será feita rapidamente e que não há maiores problemas. Quem sabe seja verdade e o assunto morra aqui.

Mas, os sucessivos problemas apresentados desde seu curto funcionamento, comprometendo inclusive a chegada da água ao açude do Boqueirão, em Campina Grande, reforçam as dúvidas de quem já sabia das imensas dificuldades operacionais de uma obra desse porte, sobretudo a longo prazo.


Tempos atrás se elogiava muito a engenharia brasileira por realizar uma obra de tamanho porte. Agora há um silêncio e os problemas vão se acumulando. Segundo o hidrólogo João Abner, dos 9 m3/s bombeados do São Francisco, apenas 3 m3/s estão chegando ao açude do Boqueirão, em Campina Grande. Portanto, uma perda hídrica de 70%. Quem recebe essa pouca água fica contente, mas poderia chegar muito mais com uma obra infinitamente mais barata e eficiente.

Nosso receio sempre foi que essa obra fosse inviável também tecnicamente, além de tantos outros problemas de ordem econômica, ambiental, social e até éticos.

As orelhas estão em pé. Vamos acompanhando os desdobramentos. O pior será se essa obra mostrar-se mesmo inviável. Aí teremos que recomeçar tudo do zero, pensando novamente nas adutoras, sem falar na situação do rio São Francisco.

Mas, não há como sair do zero. Já houve muito tempo e muito recurso público perdidos. Pior, muita ilusão vendida para fins que nunca ficaram devidamente claros.

* Atua na Comissão Pastoral da Terra (CPT) e no Conselho Pastoral dos Pescadores na região do São Francisco. Articulista do Portal EcoDebate, e possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais.
 https://www.cptnacional.org.br

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Como o derretimento do gelo do Ártico está elevando os níveis dos oceanos em todo mundo?

Especialistas explicam como o descongelamento de gelo terrestre e a dinâmica de aquecimento da água impactam os mares


Shutterstock


Mudanças climáticas estão aquecendo o Ártico mais de duas vezes mais rápido do que qualquer outro lugar no planeta. Uma das consequências mais sérias é o aumento do nível oceânico, o que ameaça nações desde Bangladesh aos Estados Unidos (EUA). Porém, como exatamente o derretimento de gelo no Ártico contribui para a elevação do nível dos oceanos? A Scientific American perguntou a Eric Rignot, professor de ciência do sistema terrestre na Universidade da Califórnia em Irvine, e Andrea Dutton, professora assistente de geologia na Universidade da Flórida, como mudanças nesta região do norte em particular estão levando os oceanos a alturas perigosas.

Agora, os mares estão se elevando a uma média de 3,2 milímetros por ano globalmente, e prevê-se que eles subam um total entre 0,2 e 2 metros até 2100. Rignot e Dutton dizem que, no Ártico, o lençol de gelo da Groenlândia apresenta o maior risco para os níveis oceânicos porque o derretimento de gelo terrestre é a principal causa para a elevação dos mares - e “a maioria do gelo terrestre do Ártico está presa na Groenlândia”, explica Rignot. São 2,96 milhões de quilômetros cúbicos de gelo cobrindo áreas terrestres agora - e ele está derretendo nos oceanos. Se todo o lençol de gelo da Groenlândia descongelasse, segundo Dutton, ele elevaria em 7 metros, em média, os níveis marinhos. Isso inundaria significantemente megacidades, tais como Mumbai e Hong Kong.

O gelo terrestre da Groenlândia já está descongelando rápido o bastante para elevar os mares de todo mundo em 0,74 milímetros por ano. “O ritmo de derretimento tem aumentado”, em grande parte porque o descongelamento da superfície do lençol de gelo se recuperou à medida que as temperaturas globais ficaram mais quentes, diz Dutton. “Essa aceleração do derretimento da superfície dobrou a contribuição da Groenlândia no aumento do nível marinho” em comparação ao período de 1992 a 2011, acrescenta Dutton.

E o Ártico possui outras áreas terrestres congeladas - geleiras e calotas polares - em lugares como a Islândia, o Ártico canadense e o russo, o Alasca e as Ilhas Svalbard, da Noruega. Eles não chegam perto de guardar tanta água quanto o lençol de gelo da Groenlândia, mas ainda são uma parte significativa na equação do nível do mar. Juntamente com geleiras e calotas de gelo no Hemisfério Sul (excluindo o lençol de gelo da Antártida), sua fusão completa potencialmente poderia elevar os oceanos em quase meio metro, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Contudo, as áreas do norte têm muito mais estruturas congeladas do que as do sul, observa Rignot. "O derretimento de geleiras e calotas de gelo na Patagônia e nos outros locais do sul não contribuiria tanto quanto o daqueles que estão no Ártico."

Além de simplesmente adicionar água ao oceano, o descongelamento de gelo terrestre do Ártico pode elevar os níveis marinhos ainda mais através de um mecanismo chamado expansão térmica. “Em um clima mais quente, o oceano absorve muito calor extra do sistema climático e, como resultado, ele se torna menos denso”, explica Rignot. À medida que o gelo terrestre do Ártico derrete no mar, há mais água oceânica, no geral - e, assim, mais água para aquecer e expandir enquanto o clima esquenta, o que eleva ainda mais os níveis marinhos. “A quantidade da expansão que ela causa é significativa o bastante para que possamos medi-la”, diz Dutton. De 1993 a 2010, a expansão térmica acrescentou uma média de 1,1 milímetros de elevação do nível do mar por ano, de acordo com o Quinto Relatório de Avaliação do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas.

O Ártico também possui bastante gelo marinho - ao mesmo 6,5 milhões de quilômetros quadrados - e tem cerca de 2 metros de espessura, em média, de acordo com o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo. Dutton e Rignot dizem que embora o gelo marinho esteja diminuindo, ele não altera os níveis de água quando derrete pois já faz parte da massa oceânica. “Você pode congelar e derreter o gelo marinho o quanto quiser - ele não vai mudar o nível do mar”, diz Rignot. “Você está apenas mudando o estado na água”. Dutton fornece uma analogia: “Se você está sentado em um bar com uma bebida que tenha cubos de gelo, seu copo está cheio e os cubos derretem, ele não vai transbordar. O gelo já está boiando na água, então ele deslocou o volume de seu próprio espaço.”

Porém, o descongelamento de gelo marinho ainda desempenha um papel no aumento no nível do mar. “O gelo marinho se comporta como um cobertor em cima do oceano”, protegendo a água da energia solar e do calor atmosférico, segundo Rignot. Quando a cobertura congelada desaparece, sua superfície branca não está mais lá para refletir a luz do Sol de volta para a atmosfera - então o oceano absorve muito mais energia solar. “É como ir de não receber calor algum do Sol a receber todo o calor do Sol”, ele explica. “É uma tremenda diferença”. Esse efeito acelera o aquecimento no geral, o que, por sua vez, derrete mais gelo terrestre e eleva o nível do mar. Então mesmo que todo esse derretimento de gelo marinho não pareça grande coisa por não afetar diretamente os níveis marinhos, Rignot diz que “isso é muito importante - o desaparecimento desse cobertor perturba todo o sistema do Ártico”.
Annie Sneed
Revista Scientific American Brasil

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Demografia e Economia no Brasil e em Santa Catarina


Por: Prof.a Dra. Marianne Zwilling Stampe e Prof.a Dra. Thais Waideman Niquito

A mudança demográfica é um fenômeno que ocorre no mundo e também no Brasil. As quedas das taxas de fecundidade e de mortalidade infantil, junto ao aumento da expectativa de vida da população, tiveram como consequência a diminuição da taxa de crescimento populacional. Com isso, ocorre uma mudança na estrutura etária da população. As regiões que passam por esse fenômeno apresentam uma mudança na estrutura etária, observando, num primeiro momento, a existência de menos jovens e mais pessoas em idade ativa e, posteriormente, mais idosos.

Figura 1 – Pirâmide etária Brasil e SC – 2016



Figura 2 – Pirâmide etária Brasil e SC – 2030





Fonte: IBGE.

Em 2016, a população idosa corresponde a 8% da população brasileira, enquanto em 2030 espera-se que o percentual suba para 15% da população brasileira. Ou seja, em 14 anos a proporção de idosos praticamente será o dobro.

Estudamos na teoria do crescimento econômico clássico que o mesmo (em termos per capita) depende de capital, trabalho e tecnologia, e que este último fator seria exógeno (resíduo de Solow). Contudo, com a evolução da teoria, surgiram os chamados modelos endógenos de crescimento, que buscam explicar o desempenho econômico com base em fatores como educação e inovação. Outra motivação para explicar o crescimento da renda per capita é a mudança demográfica – ou razão de dependência (RD) –, isto é, a quantidade de pessoas dependentes (crianças e jovens – 0 a 14 anos – e idosos –65 anos ou mais) em relação às pessoas potencialmente ativas (15 a 64 anos)¹.

Essa taxa pode ainda ser desmembrada em mudança demográfica infantil e de idosos, o que é bastante útil para a análise econômica. Isso porque um aumento da razão de dependência advinda de grande aumento da população infantil causa impactos bastante diversos daqueles observados quando a causa é o aumento da proporção de idosos na sociedade.

Observamos para o Brasil (cujas estimativas populacionais vão até 2060) que o bônus demográfico – período em que a menor RD total é registrada – se dará em 2022 (43,4%). O desmembramento da RD também mostra que o aumento da mesma se dará exclusivamente por um crescimento da proporção de idosos na população. Em 2060, para cada 100 pessoas potencialmente ativas teremos 66 pessoas dependentes. Em Santa Catarina (cujas estimativas populacionais vão apenas até 2030) o quadro é ainda mais alarmante: já estamos no bônus demográfico. Os anos de 2016 e 2017 são os que registram as menores razões de dependência (39,9%).

Figura 3 – Razão de Dependência BR (%)



Figura 4 – Razão de Dependência SC (%)



Fonte: IBGE

E por que a demografia afeta o crescimento econômico? As razões encontram-se no fato de que os incentivos das pessoas mudam. Por exemplo, jovens e idosos possuem preferências distintas, gerando demandas de consumo distintas. Com isso, mudam os bens que serão produzidos, ou seja, afeta a produção de bens e serviços na economia. Além disso, os gastos do governo com idosos são mais elevados do que com crianças. Se as pessoas têm vida mais longínqua e continuam trabalhando por 30 ou 35 anos (se mulher ou homem, respectivamente) o impacto sobre a previdência deverá ser mais elevado, influenciando também nos gastos do governo. A previdência, já bastante deficitária, sofrerá ainda mais impactos negativos no médio prazo. Em 1991, os gastos do governo federal com INSS representavam 3,4% do PIB, atualmente já representam quase 8%². Teremos cada vez menos pessoas contribuindo e cada vez mais pessoas recebendo aposentadorias. A conta não fecha. Como solucionar essa equação? Mais impostos? Aumento do tempo de contribuição?

A oferta de trabalho também sofre alterações. No período em que a sociedade conta com maior proporção de pessoas potencialmente ativas a mesma deve aumentar, influenciando os salários e, com as políticas públicas certas, a produtividade. Posteriormente, à medida que as pessoas envelhecem, deverá diminuir a oferta de trabalho, pois temos um limite físico que podemos trabalhar. Assim, para que a renda per capita continue crescendo, precisaremos que a sociedade seja cada vez mais produtiva.

À medida que o bônus demográfico se aproxima, esse se torna um dos principais desafios para o Brasil e, como vimos, o mesmo é ainda maior em alguns estados, como Santa Catarina. Agravando este cenário, estamos entre os países mais improdutivos do mundo. Precisamos de 4,2 brasileiros para desenvolver o mesmo trabalho de um americano; 3,5 para um australiano; 3,2 para um alemão; 3,1 para um inglês. Ficamos atrás também de países em desenvolvimento: são necessários 1,7 para obter-se o mesmo produto de um argentino; 1,6 brasileiros para um mexicano ou uruguaio³. Fica claro que os desafios impostos pela demografia são inúmeros para a economia brasileira. Corremos o risco de ficarmos velhos antes de ficarmos ricos.

¹Idades definidas pelo IBGE.

²Dados contidos no texto “O Ajuste Inevitável”, de Mansueto Almeida Jr., Marcos de Barros Lisboa e Samuel Pessôa.

³Fonte: Conference Board.
 http://observatorioeconomicodaesag.esy.es

terça-feira, 30 de maio de 2017

Exploração de petróleo no Ártico da Noruega


A infografia mostra as descobertas de petróleo no mar de Barents.
 
Graphic News
May 5, 2017 -- As autoridades norueguesas esperam que as companhias petrolíferas perfurem 15 poços de exploração no mar de Barents este ano.

Ataques terroristas recentes contra o Ocidente


A infografia mostra os ataques terroristas recentes contra a Europa e Estados Unidos.

05/23/2017
Graphic News
Ataque suicida na segunda-feira à noite num concerto em Manchester, matou pelo menos 22 pessoas e feriu 59 outras no mais recente de uma série de ataques terroristas que visaram o Ocidente.

Disputas no mar do Sul da China

Graphic News
O Tribunal Internacional de Haia anunciou a sua decisão sobre um litígio entre a China e as Filipinas sobre o mar do Sul da China, uma zona rica em recursos onde vários países reclamam soberania e que é também uma importante rota marítima.

Emigração dispara

Graphic News 
 

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